sábado, 1 de abril de 2017

A VOZ



Depois de uma boa noite de sono ficamos mais funcionais; o cérebro, o corpo, os órgãos, tudo

funciona melhor. Após o café da manhã ouvi um barulho de carro chegando, era o meu filho que estava vindo pra ajudar a consertar o carro. Depois de umas mexidas no veículo ele disse que eu anotasse as peças para comprar. Fiz isso; em seguida montei  na poderosa (moto) e segui em direção à loja de autopeças. Pelo caminho, capacete aberto, vento no rosto, fui tendo uma sensação boa, diferente: era como se eu estivesse me descobrindo, redescobrindo na verdade. Algo dentro de mim dizia: "você pode, você é bom". Ora bolas, isso é inédito, muito novo; afinal, faz muito tempo que não leio livros de auto ajuda, tampouco frequento cultos religiosos, nem estou louco. Bom, segundo meu psiquiatra eu não sou louco, apenas um pouco ansioso, rsrsrs. Mais algumas voltas nas rodas da moto, mais vento fresco no rosto, a voz repete: "você pode, você é bom". Caramba, pensei, que será isso? Cheguei na loja de peças, balcão lotado, esperei; enquanto esperava, a voz: "você pode, você é bom!" Olhei para os lados, com medo que alguém percebesse algo; mas, não, tudo na mais perfeita normalidade. Depois da compra das peças, voltando para casa, ouvi mais umas duas vezes a afirmação: "você é bom, você pode", já estava até me acostumando com aquilo. No final do dia, carro arrumado, banho tomado, voltei ao "Capital" de Karl Marx e retomei a leitura do dia anterior; leitura que eu julgara muito pesada e de difícil compreensão. De repente, tudo se esclareceu, vi o porquê daquela voz; entendi que aquela voz era do meu inconsciente me comunicando que as páginas que eu havia lido já estava ao alcance do meu entendimento. Devorei novamente o texto sobre a mais valia e compreendi tudinho. Aff!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

AS AVENTURAS DE FAILA



A menina o jacaré e o lobo

PRIMEIRA PARTE    21/04/2016

            Faila era uma menina muito corajosa. Tinha os cabelos pretos e a pele morena. Com apenas 10 anos ela já era uma exímia pescadora. Todos os dias ao chegar da escola, dizia à sua mãe: “mamãe, vou fazer a tarefa de casa e depois vou pescar”
Então, num desses dias a Faila chegou, almoçou, fez a lição de casa, pegou a varinha de pescar, foi no fundo do quintal e apanhou umas minhocas, colocando-as em um embornal: “mamãe, já estou indo”.
            - “tá bom, filha, mas tome muito cuidado, não vá muito longe, e, qualquer coisa, me chame”.
            - “tá, mãe”. E foi.
            No lugar que Faila habitualmente pescava era um riacho muito tranquilo, ficava cerca de 100 metros de sua casa e se gritasse para a mãe, a mãe viria correndo, mas…
            Rio acima, lá perto da montanha, era bem perigoso. Havia um jacaré muito  bravo que devorava, comia, todo ser vivo que lá aparecia. Esse jacaré era enorme e a casca das suas costas, rabo e cabeça era muito dura. Quando ele, com aquela boca enorme, atacava um lobo, o lobo se defendia dando mordidas na cabeça e nas costas do jacaré. Mas, não adiantava, o lobo acabava sendo devorado pelo réptil.
            Ao chegar no riacho tranquilo, a Faila sentou-se na margem e começou a preparar a varinha de pescar, colocando a isca no anzol e... quando ia jogar a linha para o rio ouviu o que pareceu um uivo de lobo, que mais parecia um choro. Parou, esticou o pescoço para o lado que vinha o som na intenção de perceber melhor do que se tratava.
- ÁÁÁUUUUUUU!
- É um lobo - disse ela – mas parece que chora. Será?!
Faila, deixou a varinha de pescar de lado e resolveu ir ver quem era aquele lobo sofredor, e porque sofria. O uivo vinha lá do lado de cima do rio, pro lado da montanha. Ela sabia que era perigoso, mas corajosa que era e como tinha muito carinho com animais, resolveu investigar. E foi. Passou por quedas d'água, nas quais via os peixes subindo o rio em direção à nascente; era época de piracema.
(Piracema é o período de reprodução dos peixes. Durante esse período, eles se deslocam até as nascentes dos rios ou até regiões rasas dos mesmos com ervas, para desovar).
 Parecia que o uivo estava mais perto, agora. - ÁÁÁUUUUUUU! A impressão que Faila tinha era de que o choro do bicho vinha de dentro da floresta, bem perto da montanha. Resolveu entrar na floresta. Dentro da mata, enquanto caminhava em direção ao uivo, se deparou, várias vezes com animais que habitam ali. Mico-Leão-dourado, Araçari-banana; viu de longe uma Onça-pintada, um quati e uma cobra grande enrolada numa árvore. Ficou com medo, mas prosseguiu, assim mesmo. Agora parece que estava muito perto do uivo. - ÁÁÁUUUUUUU! - Sentiu um frio de medo percorrer seu corpo. Após andar mais uns minutos, ouviu o uivo e ficou gelada com o que viu logo a sua frente.
            Um buraco grande, no meio da clareira, com mais ou menos 3 metros de fundura e dois de largura; no fundo havia um lobo grande, porém, emagrecido, talvez de fome e sede. Ela pensou: “esse buraco está me parecendo buraco de caçador”. Os caçadores clandestinos fazem buracos na floresta para que os bichos caiam, e aí, depois de um tempo, o caçador vem e aprisiona o animal, para vender na cidade.
            Faila pegou uma faquinha que tinha pendurada na cintura, cortou um cipó que parecia uma corda, amarrou o cipó num toco de árvore, esticou-o e jogou no buraco. A intenção da menina era amarrar o lobo na corda, ops, no cipó e depois içá-lo para cima, e levá-lo para casa, adotar ele. Devagar foi descendo pelo cipó em direção ao lobo; quando estava quase chegando ao fundo, o lobo, mesmo fraco, encontrou forças para rosnar e arreganhar os dentes em direção à Faila. A menina parou com medo, devagarinho foi voltando para cima. Quando chegou à superfície olhou para o lobo e disse: Não vou te deixar aí sofrendo desse jeito, vou buscar comida e água para você...

SEGUNDA PARTE


Decidida a salvar a vida daquele lobo Faila iniciou a caminhada de volta, passou novamente pelos mesmos lugares. Viu os macacos, a onça, o quati, a cobra; sentia o mesmo medo de antes, mas, decidida seguiu em direção à sua casa. Terminando de atravessar a floresta, chegando ao riozinho, pegou sua vara de pesca, o embornal com as minhocas já secas e seguiu. Ao chegar em casa disse: “oi mãe”. “Oi Faila, pegou muito peixe hoje?”... “Que nada mãe, parece que os peixes sumiram todos, não pesquei nenhum”. A mãe de Faila estranhou, pois nunca havia acontecido nada parecido, sempre a filha vinha com o embornal cheio. “Tudo bem, filha, vá tomar um banho, depois coma algo. Deitar cedo hoje, pois amanhã antes de sair para a escola, vai estudar mais um pouquinho para a prova de Matemática”
Faila pensou um pouco e disse: “mãe, lá perto do rio tem um cachorrinho magrinho, com fome e sede, preciso levar água e comida para ele. Posso? “Só se não demorar muito, daqui a pouco vai escurecer, vou colocar água e umas coisinhas e você leva para ele comer”. A mãe da menina arrumou tudo, colocou no embornal e disse: Vá e volte bem depressa, depois banho e dormir”. “Tá mãe, to indo".
Correndo, como nunca correu antes, Faila chegou na clareira bem depressa, parece que nem prestou atenção nos bichos da floresta, tal era sua pressa em ajudar o seu novo amigo faminto. Embornal pendurado no pescoço, começou a descer pelo cipó. Ao chegar ao fundo, novamente o lobo rosnou para ela, embora sem forças para levantar, ou lutar. Devagarinho Faila se aproximou do rabo do lobo e um pouco trêmula acariciou-o. O lobo levantou devagar a cabeça, abriu bem os olhos e tentou rosnar, mas estava muito fraco e deitou a cabeça de novo. A menina continuou a fazer carinho, agora subindo com a mão pelas costas do animal, que, parecia morto. De carinho em carinho chegou com a mão na cabeça do lobo, que abriu os olhos como que agradecendo aquela carícia.
Faila pegou um pouco de água e pingou na cara do animal que, ao sentir o frescor escorrendo perto do focinho, lambeu aquelas gotas salvadoras. Abriu os olhos agradecido e abriu a boca esperando mais um pouco do líquido refrescante. A amiguinha percebeu que estava conquistando o lobo e foi despejando, pouco a pouco a água na boca do bicho. Depois de saciar a sede, ele começou a receber alimento. Depois de matar a sede e a fome do lobo, Faila fez mais um carinho no amigo e foi-se, decidida a voltar durante os dias seguintes. Todos os dias, até que ele tenha se recuperado por inteiro.
CONTINUAÇÃO - 22/04/2016 - sexta-feira


Nos dias seguintes, Faila resolveu utilizar uma tática a fim de que a mãe não desconfiasse da aventura que ela estava vivendo. Ao chegar da escola, depois de comer e fazer a lição de casa, pegava, como sempre a varinha de pesca, as minhocas e água e comida para o ‘cachorrinho’. “Mãe, estou indo pescar e levando alimento para o ‘cachorrinho magrinho’. Ia para o rio e pescava uns poucos peixes, colocava no embornal e seguia em direção à floresta.

Chegando na clareira, Faila descia pelo cipó e alimentava seu amigo lobo. Com o passar dos dias, a menina foi ganhando a confiança do animal; quando ela chegava, o amigo já estava esperando-a, abanava o rabo e lhe dava lambidas, como demonstração de amizade e agradecimento. Conversando com o bicho ela dizia coisas como: “Meu amigo, você está melhorando rapidamente, já engordou um pouco e consegue ficar em pé. Que maravilha!!!”.
Naqueles dias, ao voltar do seu encontro com o lobo, a mãe estranhava a pouca quantidade de peixes que a filha estava trazendo: “Faila, você sempre trouxe o embornal cheio, e agora, só isso. Por que? “Sabe, mãe, acho que é o calor, acho que muitos peixes estão deixando para sair da loca (buraco onde os peixes moram) durante a noite, que é mais fresquinho”. A mãe de Faila dava de ombros, concordando, meio a contra-gosto. 
Depois de muitos dias alimentando e hidratando seu amigo lobo a menina percebeu que ele já estava impaciente para sair daquele buraco. Pelas marcas de unha na parede do buraco dava pra ver que o lobo já dava saltos bem altos, tentando escapar; só não conseguia sair porque o buraco era muito fundo. Era chegado o momento de libertar seu amigo. Foi na floresta e cortou outro cipó, amarrando-o no peito do amigo, perto das patas dianteiras. A todo instante ele a lambia atrapalhando-a no ato de amarrar. “Acalme-se amiguinho, estou tentando amarrá-lo para tirá-lo daqui!”.
Depois de uma ponta do cipó estar bem amarrada no corpo do lobo, Faila pegou a outra ponta amarrou em sua cintura e subiu pelo outro cipó. Chegando lá em cima, começou a puchar, dizendo a todo momento: “Pula, amigo, pula”. O lobo pulava e ela puchava, mas era muito alto. Já cansada, ela sentou-se e pensou um pouco: “Já sei, vou buscar a emxada de cavucar minhocas e farei uma rampa. Como um vento, ela foi e voltou. Com a enxada fez uma rampa, por onde, com sua ajuda o lobo conseguiu subir. Desamarrou o amigo e disse: “Pode ir, amiguinho, você está livre”. Fez uns carinhos na cabeça e nas costas do lobo e recebeu muitas lambidas. Daí, ele baixou a cabeça e foi saindo devagar, depois levantou a cabeça e começou a correr.
A menina ficou olhando o lobo atravessar a floresta correndo e subindo a montanha. Lá do alto da montanha o seu amigo levantou bem a cabeça e deu o uivo mais bonito que a Faila já tinha ouvido em toda sua vida. AAAUUUUUUU!!!
CONTINUA... na próxima semana


FINAL

O tempo passou e Faila continuou sua vidinha tranquila. Como sempre ao voltar da escola, almoçava, fazia a lição de casa e dizia à mãe: “Mãe, tô indo pescar.” – “tá bom, filha, volte logo. Ah! Coloque as botas de couro, para se proteger, me disseram que ultimamente tem aparecido cobras vindas da mata”.
“Tá, Mãe, vou colocar”. Faila vestiu as botas de couro, que cobriam as suas pernas até o joelho. E foi em direção ao riacho.
 

Embornal com minhocas e vara de pescar na mão, a menina seguia para o riozinho. Ela adorava pescar, e, todos os dias depois da pescaria ia para casa com o embornal cheio... Mas, com o passar do tempo foi sentindo que lhe faltava alguma coisa. Um dia, na margem do rio, com o embornal já pela metade, ela pensou: “Ai! que saudade do meu amigo lobo, acho que vou andar pela floresta para ver se o encontro”. Encostou a varinha de pesca num morrinho de cupim, pendurou o embornal, com peixes até o meio, no ombro e foi para a mata a procura do seu amigo lobo.
Enquanto andava entre as árvores Faila ia pensando que deveria dar um nome ao seu amigo. Lembrou-se de um livro vermelho, que seu pai lê, de vez em quando. É o livro de um filósofo alemão, que viveu no Século XIX cujo nome é Karl (Cal). “Bonito nome, pensou a menina; se encontrá-lo vou chamá-lo Cal”.
Estava cansada de tanto procurar e já quase desistindo, para voltar outro dia, quando ouviu um uivo: ÁÁÁÁUUUUU. “É ele, é o Cal”, e saiu correndo em direção ao uivo. Chegando perto da montanha viu, lá em cima o seu amigo olhando para o alto e uivando: ÁÁÁÁUUUUU.
Emocionada gritou: “Amigo, venha aqui; Cal, venha, venha”. O lobo ao ouvir a voz da Faila, olhou para baixo e, ao vê-la, começou a descer a montanha, correndo. Ao chegar, correndo, o amiguinho trombou com a menina, que caiu dizendo: “nooossa, você gosta tanto de mim, assim, a ponto de me derrubar”. Cal, o lobo, fazia tanta festa, lambia a mão da Faila, o rosto, os cabelos. Ela o abraçava e dizia: “Cal, eu estava com muitas saudades de você, vamos dar uma volta pela floresta; quero conhecer a montanha, vamos”. Começou a puchar o amigo em direção à montanha; quando ia passando perto do Rio, o Jacaré pulou em cima dos dois, deu uma rabada com força no Cal, jogando-o longe, em seguida abocanhou a perna de Faila e foi puchando-a para o rio, onde pretendia devorá-la. Faila puchou a faca da cintura e deu um golpe bem no olho esquerdo do malvado; ele continuou a puchá-la apesar da dor que estava sentindo. Cego de um olho e sentindo muita dor o jacaré continuou a arrastá-la em direção ao rio. Nisso, o lobo, recuperado da rabada do jacaré, veio correndo para defender a amiga; pulou e deu uma forte mordida no olho direito do réptil, arrancando-o. Agora, o jacaré, cego dos dois olhos e não aguentando tanta dor, soltou a perna da Faila e pulou no rio.
Cal, o lobo, com a boca, pegou na roupa da menina e foi arrastando-a até chegar à sombra de uma árvore. Faila, ainda tonta pela luta, começou a retirar a bota da perna que o jacaré havia pegado. Na bota ficaram as marcas dos dentes do animal. “Como vou explicar pra mãe essas marcas”? Ao terminar de tirar a bota, percebeu que não estava muito machucada, graças às botas. O Cal, percebendo os ferimentos, começou tratar com lambidas, aqueles machucados. Faila disse: Amigo, se não fosse você, agora eu estaria dentro da barriga do jacaré. Obrigado, amigão”! O lobo continuou a lamber os ferimentos, até que Faila, já recuperada, resolveu ir embora. Mas, depois dessa louca aventura, a vida nunca mais seria a mesma. Resolveu que, voltaria a ver o Cal, com mais frequência.
Faila estava feliz da vida, pois ela e o Cal venceram um inimigo mortal, o jacaré, que estava acostumado a devorar qualquer animal ou pessoa que se aproximava do seu reduto. Mas estava triste porque era o momento de se despedir o seu amigo lobo. “Tchau, meu querido, vou mas em breve voltarei para novos passeios”. O Cal abanou o rabo e deu umas lambidas na mão de Faila, em seguida saiu correndo em direção da sua montanha, e, lá do alto uivou, despedindo-se da amiga: ÁÁÁÁUUUUU.

O feroz jacaré, cego dos dois olhos, desse dia em diante, nunca mais saiu do rio para morder ninguém. A partir de então só come peixes; fica com a boca aberta e quando passa um peixe nadando na sua boca, ele fecha a boca e o engole.

  
Fim
 


sábado, 30 de janeiro de 2016

A QUEILA MORREU

A Queila morreu
Mas, quem é a Queila, mesmo? Ah! Era apenas uma pessoa extremamente pobre, dessas que ganham bolsa esmola e afrodescendente. Não está inserida em “nosso meio”.


Há semanas antes de ela morrer eu disse a ela que faria uma viagem internacional (Uruguai). Vi em seus olhos uma profunda tristeza que, naquele afã, naquela pobreza espiritual do (oprimido hospedeiro do opressor, vide Paulo Freire), não percebi o que percebo agora. Que ela estava triste, não por causa da despedida ou por qualquer sentimento que as pessoas do “nosso meio” possam perceber. Ela estava triste porque , no fundo se sentia menos. Menos, como sempre se sentiu, durante os 23 anos que viveu.

Por ter nascido negra e pobre. Por ser filha de quem era. Por nunca ter sido convidada sequer para uma festa de aniversário, casamento, etc. Pelos olhares de desaprovação, sutilmente disfarçados, das pessoas que são mais, sobre ela que era menos. Pela situação de penúria que vivia e sempre viveu. Numa casa miserável, recebendo bolsa família. Recebendo víveres por complacência de um falso solidário tio. Porque se fosse solidário de verdade, em vez de simplesmente ajudar, teria a adotado logo ao nascer.

Ái de nós!!! Que estamos amansados, domesticados, civilizados pelo Sistema… SENÃO!?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ZUMBI VIVE EM NÓS!!!



A senhora negra dizia à linda jovem escrava:
- essa noite tive um sonho diferente.
- como foi? – perguntou a jovem.
- havia uma montanha muito alta a ser superada. O negro ia subindo, subindo, e caia logo adiante, mas... quando um caia, outro se levantava. E isso ia acontecendo sucessivamente.
- o que significa isso? – indagou a jovem.
- isso representa a nossa luta pela libertação.
- como assim?
- o negro luta, e nessa luta morre, mas... nasce outro. Sempre nasce outro para substituir o que caiu. O topo da montanha é o final da luta de libertação. É a vitória, é a nossa emancipação.
Desolada a jovem pergunta:
- então não temos esperança, porque começa a lutar e depois morre?
- temos, mas não para agora. A luta é longa, pode durar gerações. É uma luta de heróis. Todo negro é um herói.
A luta continua
Zumbi vive em nós
A luta da Classe Operária também é assim.
Parece que estamos diante de uma montanha (Capitalismo) intransponível
A luta da classe operaria também é assim. Parece que estamos diante de uma montanha intransponível (Capitalismo). Realmente, se vemos a luta do ponto de vista individual, ou seja, de um homem só, ou uma mulher só. Se virmos assim a coisa parece impossível. Mas a luta da classe operária deve ser vista de uma ótica mais abrangente. Como a luta de libertação do Povo de Zumbi, é uma luta de milhoes de homeens e mulheres de todo o mundo. Há muito tempo a classe operária vem lutando contra o capitalismo. Quem é a classe operária e o que é o capitalismo? A classe operária é o conjunto de todos os trabalhadores que existe no mundo, a classe operária é internacional. Porque a exploração sofrida por um trabalhador brasileiro é sofrida por trabalhadores em todos os cantos do planeta. O CAPITALISMO é um sistema onde as leis existem para manter a dominação de classe. A dominação das ELITES sobre os trabalhadores. E esse sistema é tão esperto que cria uma ilusão (manipula nossas mentes). Esse sistema mostra os jogadores de futebol, artistas de tv ou cinema, cantores, donos de grandes comercios, industriais, todos fazendo muito sucesso. Segundo essa ilusão todos conseguiriam enriquecer porque a democracia permite que qualquer pessoa talentosa ou esperta fique rico. Ainda segundo essa ilusão, existe a possibilidade de ficar rico ganhando em sorteios, megasenas e HIPER CAP, e outras enganações do gênero. Em estudo estatístico que a eles não interessaria divulgar, o brasileiro comum teria muito mais chance de ser atropelado ou ser assaltado do que ganhar uma bolada ou ficar rico de qualquer outra forma. A verdade é que os Neymar, Zezé Di Camargo, Silvio Santos… cada dia estão mais ricos, e o trabalhador comum cada dia mais pobre. Nada temos contra as pessoas dos jogadores, cantores, donos de empresas, etc. Mas vem a calhar a tomada de consciência de como somos enganados (manipulados). Para que possamos estar lutando-juntos com o objetivo de mudar o sistema; talvez para nós, mas, certamente para nossos filhos e netos. Enquanto o povo vai sendo manipulado, as elites continuam nadando de braçadas. Mas a coisa está mudando.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

DIA DO AGENTE DE CONTROLE DE VETORES

UMA SINGELA HOMENAGEM A ESTES  ADMIRÁVEIS COMBATENTES QUE SÃO OS AGENTES DE CONTROLE DE VETORES

EDUCADOR
Nas esferas da política,
Tem orgia e corrupção.
A máfia na polícia
Revolta o irmão.

Mas existe gente honesta,
Que labora sem cessar.
Ele busca no trabalho,
O sustento do seu lar.

É o agente de vetores,
Gente boa de verdade.
Não abaixa a cabeça,
E luta com vontade.

Educador de fato,
Aprende a cada dia,
Que a união é uma planta,
E precisa de cuidados.

Sua força só aumenta,
De conquista em conquista.
Mas o que ele não tolera,
É a maldade e a injustiça.

OBS: Sinto muitas saudades da minha época como agente de controle de vetores.
Laércio Penafiel Pires

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Propor mudanças na nossa sociedade para vivermos de forma sustentável (consciente).

A primeira coisa que temos que lembrar é que temos de respeitar a natureza (animais, plantas, água), pois sem ela não sobreviveremos. Em seguida, reduzir o consumo ao mínimo necessário. Porque quanto mais consumirmos mais lixo produziremos. Em terceiro, precisamos desenvolver objetos de consumo e combustíveis biodegradáveis (que desmancham mais rápido sem poluir a natureza). E por último será preciso melhorar a vida das pessoas mais pobres para que eles tenham uma melhor alimentação, moradia digna e educação para que possam compreender e ajudar na luta por um mundo sustentável.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Em busca de um tema para Mestrado em Educação

Já sabemos que muitos são os problemas impeditivos para que a Educação seja universal  gratuita e igualitária para todos; entre eles poderíamos citar a questão do capital cultural (Pierre Bourdieu) trazidos por cada aluno, de suas realidades objetivas. O filho de um médico certamente terá um capital cultural muito mais rico que o filho de um pedreiro. Não obstante alguns filhos de pedreiro poderão se destacar durante sua vida escolar e alguns filhos de médicos poderão ser estudantes medíocres. Mas são casos de exceção e não, regra geral. Outra questão, que sabemos é a gestão deficitária nos órgãos públicos. Alongando-se mais um pouquinho temos o excesso de alunos por sala, o estresse da vida moderna, a sala de aula ser pouco atraente diante do mundo tecnológico e virtual que seduz e encanta as crianças de todas as classes sociais. Difícil a casa que não tem um celular, computador, videogame... Temos ainda o desencanto dos professores que não têm o devido preparo para exercer o Magistério; não por sua própria culpa, mas do sistema que trata de forma desigual as profissões de um modo geral. Veja o caso dos engenheiros, advogados, médicos e outros que, ao saírem da faculdade passam por intenso treinamento antes de entrar definitivamente no mercado de trabalho. Essas carreiras mais “nobres” têm uma práxis diferente para os seus profissionais: Ao concluir a faculdade ficam por um longo tempo como auxiliares junto de profissionais mais experientes até que aos poucos vão assumindo o seus lugares nas empresas, públicas ou privadas. O profissional da Educação Pública, ao contrário, sai da faculdade, passa no concurso e é jogado em uma sala de aula, via de regra, para então ir construindo as suas experiências por sua própria conta e risco. Não existe um padrão de qualidade a seguir, não existe um treinamento adequado que prepare este profissional. Então, cada um faz de um jeito e vai aprendendo com os colegas, mas até aprender (mais ou menos aprendido) vai ensinando os alunos de maneira falha, formando cidadãos de segunda categoria.
Teríamos muitos outros argumentos em favor da educação universal gratuita e igualitária e a cada dia surgem mais alguns. Entretanto temos que lembrar, um fato fundamental, como dizia Paulo Freire: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica