quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Maturidade é ater-se ao essencial, sabedoria é conhecer a diferença do que é e do que não é essencial.




Como fazia todos dias ao chegar do trabalho a mulher deu um beijo no marido e disse:
  – tome  cuidado no trânsito, principalmente nos cruzamentos –  ele respondeu:
 – você já me disse isso ontem, antes de ontem, a semana passada, o mês passado, ...
No dia seguinte ela chegou e não disse nada, nem deu o beijo...
O esposo falou: – cadê meu beijo? Ela respondeu:
 – já lhe dei beijo ontem, antes de ontem, semana passada, ...
Tal como o carinho, há frases que são essenciais e precisam ser repetidas cotidianamente como se fossem um mantra, para que atuem como um sistema imunológico que protegem das recaídas...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

QUEM FAZ A NOSSA CABEÇA?


É claro que essa pergunta não é fácil de ser respondida. Entretanto temos algumas pistas que podem nos auxiliar nesta questão. Vejamos:
Se eu moro em um bairro de periferia, tenho contato com pessoas mais simples, no supermercado, na padaria, na banca de revistas, etc. No trabalho, dependendo da minha profissão vou conviver com pessoas mais ou menos sofisticadas, mais ou menos esclarecidas; e por aí vai...
Se moro em condomínio, a convivência poderá ser de certa forma diferenciada, nos modos de conversar, no modo de vestir; os meios de informação (jornais, revistas, net, etc...). Meu trabalho poderá ter um padrão socioeconômico mais elevado...
Se moro numa favela, poderei conhecer pessoas trabalhadeiras e honestas, como também conviver com algumas pessoas desqualificadas ou desonestas. Discriminações e preconceitos à parte, eu diria que, pessoas desonestas e desqualificadas poderei encontrar em qualquer local de moradia ou de trabalho.
Se moro no interior, a convivência com pessoas simples, gentis e calorosas será mais amiúde do que nas grandes cidades; a honestidade e a solidariedade serão coisas muito mais comuns nestes lugares.
Bem, já sabemos por estudos anteriores de psicologia que o ser humano (outros animais também) aprende principalmente por imitação através do “neurônio espelho”
.
Os neurônios-espelho podem explicar muitas habilidades mentais que permaneciam misteriosas e inacessíveis aos experimentos e os neurocientistas acreditam que o aparecimento e o aprimoramento dessas células propiciou o desenvolvimento de funções importantes como linguagem, imitação, aprendizado e cultura. (http://www.mackenzie.br/fileadmin/Pos_Graduacao/Editais/Neuronios_espelho.pdf., 2006).

Desta forma concluímos que todo contato que temos, com qualquer pessoa ou informação, imprime alguma espécie de experiência sintetizada em nossos cérebros, mesmo que algumas vezes estas sejam quase insignificantes.
Mesmo insignificantes, com o passar do tempo, a somatória destas experiências reais ou sintéticas vão se avolumando em nosso cérebro formando o que chamamos de conceitos, opiniões, preferências, convicções, etc.
Porém, tudo que vimos até aqui é quase nada perto das influências que recebemos todos os dias dos meios eletrônicos, mídias (tv aberta ou paga, internet, cinema, celulares, táblets, jornais, revistas, etc...). Estes meios eletrônicos (em grande quantidade) moldam nosso modo de vestir, nossos gostos pessoais, nosso modo de comer, o que comer, nossos conceitos e preconceitos; moldam até mesmo nossas expressões em cada cenário do teatro da vida (no serviço, em casa, nalguma festinha de aniversário ou casamento, etc...). Moldam o modo como nos dirigimos ao nosso cônjuge, aos nossos familiares, aos amigos. Moldam nosso modo de sentar, o modo de olhar (para cada tipo de pessoa, temos dentro de nosso arquivo pessoal, um modo de olhar, um sorriso, ou um franzir de cenho, um retorcer de lábios, etc...)
A lista de fatores que nos modificam e nos refazem a todo momento (até nos sonhos os fatores continuam agindo) é tão extensa que precisaríamos milhões de megabytes para registrá-los.  E isto é muito inquietante para mim.
O fato positivo de tudo isso é que há muitos estudos sobre tudo isso. Há pessoas de fato preocupadas com o futuro da humanidade. Por isso ainda não perdi a esperança. Eu também continuo nesta busca...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

ELEIÇÕES 2014

Realmente, o país está um caos, desde o descobrimento, mas os políticos são (todos eles) fruto da realidade brasileira. Qualquer um que entrar lá vai dar no mesmo. É a crise do sistema. A humanidade é comandada pela mídia, pelos marqueteiros. Observemos o que o povo compra: sempre as mercadorias que são mais trabalhadas pelos propagandistas. Na eleição não é diferente, o povo vota naqueles que tem mais dinheiro e faz a melhor propaganda. Na verdade o povo está tão manipulado que não tem autonomia para comprar alimentos saudáveis, por isso as doenças aumentando assustadoramente; da mesma forma o povo não tem autonomia ou senso crítico para escolher os melhores candidatos. Enfim, os melhores nunca vão ganhar eleições, como os melhores produtos (saudáveis) nunca vão ser a escolha da maioria da população. Estamos em um caminho sem volta. A Humanidade está como um carro desgovernado descendo ladeira abaixo. No final, sobrarão muitos poucos. Estes poucos terão a missão de dar um novo início a um novo modelo de sociedade. Não vou alcançar isso, pois estou com 67 anos e esse processo vai demorar muito, muito mesmo.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Desabafo de um aspirante a professor

Há alguns anos eu estudava Pedagogia e na inocência de estudante vislumbrava uma possível futura carreira de professor.
Bom, o tempo passou, eu terminei a faculdade e ato contínuo participei de um concurso na Prefeitura de Ribeirão Preto (concurso para professor PEB II) para dar aulas na rede; aulas para os primeiros 5 anos do Ensino Fundamental.
Passei no concurso e fui chamado a ministrar aulas em uma escola bem próximo da minha residência (10 minutos à pé). A alegria era imensa. Eu, minha família, meus amigos ficamos felizes com a novidade. Afinal se realizava um sonho da vida inteira: dar aulas.
Na escola municipal encontrei uma realidade bem diversa daquela que participei quando fiz as 400 horas de estágio no Centro Universitário Barão de Mauá. Na Mauá, as crianças de classe média, bem comportadas, até tiravam as professoras do sério de vez em quando, mas quando a tia falava “SENTA” elas sentavam, quando falava “SILÊNCIO” os pequeninos se calavam. Mas na escola pública a realidade é bem diferente: o professor fala “SENTA” eles correm, o professor diz “SILÊNCIO” eles gritam.
 O desafio é grande...  Aff..
Na verdade essas crianças são adoráveis, educadas, amáveis, cordiais. Eu sinto que cada dia com eles me faz ficar mais jovem, pois a energia que emana destes pimpolhos é muito boa e muito intensa; eu é que não tenho ainda a tarimba necessária para lidar com eles. Esses pequeninos vêm de uma realidade diferente daqueles da escola particular, são, até certo ponto, vítimas de um sistema perverso que privilegia algumas crianças em detrimento de outras; claro que todas elas são bênçãos de Deus, todas: pobres ou ricas são apenas crianças inocentes. Não há culpa nelas.
Quanto ao pessoal que trabalha: Diretora, vice, docentes, pessoal do pátio, biblioteca, cozinha, todos têm sido muito solidários comigo, não posso reclamar, ao contrário, só tenho a agradecer as incontáveis gentilezas que recebo deles. Por esse motivo ainda não desanimei!!!
É engraçado que justamente eu que desde a mocidade tenho enfrentado realidades conflitantes, tipo enfrentamento político nos “tempos de chumbo”, greves incontáveis e debates memoráveis com políticos e militantes conservadores e de “direita”; justamente eu que não me rendi aos adversários encarniçados, agora estou sendo vencido por uma turminha adorável que não tenho coragem de enfrentar. Sinto-me como aquele conquistador que depois de muitas batalhas, vencendo todas, ao chegar em  um povoado que só tinha mulheres e crianças, disse ao seu exército: “Daqui nós vamos voltar, essas pessoas são muito mais fortes do que nós”...



domingo, 8 de junho de 2014

O Que Se Espera De Uma Empresa Cidadã

http://www.reclameaqui.com.br/9059912/editora-abril/o-que-se-espera-de-uma-empresa-cidada/

O Que Se Espera De Uma Empresa Cidadã

Editora Abril
Ribeirão Preto - SP Sexta-feira, 06 de Junho de 2014 - 20:55
Reclamação
Quero reclamar da editora Abril assinaturas
Ocorre que em 5 de junho de 14, aproveitando uma promoção, assinei uma das publicações da Abril (Revista Nova Escola). No site http://revistaescola.abril.com.br/planos-de-aula/ consta a promoção em 4xR$22,50 com a vantagem de ganhar grátis uma edição especial (Guia do Professor Iniciante).
O que se espera de uma pessoa honrada é o mesmo que se espera de uma empresa honrada. O mínimo de ética e respeito ao cliente. Não é o que recebi da empresa acima citada, pois ao invés de me cobrar R$22,50 pela 1ª parcela, me cobraram, de imediato, no cartão, o valor total das 4 parcelas, ou seja R$90,00 de uma só vez.
Uma empresa cidadã, que almeja manter seus clientes e a fidelização destes, não age dessa forma, ao contrário, procura manter sua palavra, respeitando e se dando o respeito; pois se a imagem de um homem público é importante perante a população, a sua auto-imagem é fundamental para este homem diante de sua família e amigos. O mesmo pode-se dizer de uma empresa como a Abril, que deveria prezar a sua imagem pública e sua auto-imagem no âmbito de seus funcionários e parceiros.
O que se pode dizer de uma empresa que se comporta desta forma? Não desejo ser indelicado rotulando-a, ou nomeando-a. Deixo esta tarefa aos que lêem este desabafo.

Abraços

sábado, 19 de janeiro de 2013

Não basta votar, tem de participar

{esta foi minha redação no vestibular da Barão de Mauá}
[em resposta a (LUFT, Lya. A gente decide IN: Veja. São Paulo: Ed. Abril, n. 42, p. 26, out. 2009].

Não basta votar, tem de participar

 É verdade que o povo brasileiro é um povo alegre e festivo, um povo cordial e acolhedor. Mas é também verdade que parte do nosso povo, de tempos em tempos arregaça as mangas e vai à luta pelas mudanças necessárias, como ocorreu nas mobilizações, do final do séc XX, pelas eleições diretas para Presidente da República e depois pelo Impeachment do Presidente Collor de Mello.
 Sabemos que o Mundo, na atualidade, vem atravessando sérios problemas econômicos e que essas crises mundiais acabam afetando o nosso país; nosso país que de uns anos para cá vem avançando nas questões sociais, melhora no desempenho econômico frente aos outros países, etc.
             Apesar de tudo isso é preciso lembrar a importância da nossa participação política, mobilizando-nos para não deixar que o clima de festa (olimpíada, copa) adormeça a consciência do nosso povo.
              Portanto, vamos votar certo elegendo as pessoas éticas e comprometidas com as políticas públicas que se fazem urgentes. Mas, além de votar devemos participar da vida política do nosso país, promovendo e participando de encontros, fóruns de discussões, fazendo avançar nas prioridades do povo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

AS AVENTURAS DE HOJE NOS FAZEM LEMBRAR AS VENTURAS DO PASSADO



O jovem aparentava 22 anos de idade, cabelos despenteados, olhar brilhante, entrou apressado na sala e cumprimentou a todos, andava apressadamente procurando algo naquelas pessoas da sala, parou e disse:
- Ouvi falar que aqui, há vigor da juventude, sorrisos em abundância, resistências às maldades, força nas mãos e experiências para doar, mas eu preciso acreditar que eu posso ter tudo isso, que posso ser tudo isso. Disseram-me que sou incapaz, que sou inútil e me digam, me digam que isso não é verdade!
- Eu preciso de um abraço, de um afago e me disseram que tudo o que eu preciso está aqui, me ajudem a encontrar.
O Jovem começa a procurar dizendo: 
- Onde posso encontrar conforto num abraço, por favor, ajudem-me sorrir...
Pega as mãos de uma senhora e diz:
- Mãos lindas! Afague meu rosto? Mãos da experiência, quantos anos têm? Que trabalho fazia? Quantas vezes escrevestes na lousa, que livros leram? Quanta pessoa ensinou a escrever e a ler? Você pode me abraçar?
Perguntou ao senhor ao lado:
Que profissão é a sua?
- Pedreiro? Suas mãos me dizem que o senhor fez muitas famílias se sentirem confortáveis e seguras.  Aqueles dias quentes em que seu suor pingava na massa que rebocava as paredes daquele prédio estão lá ainda. Hoje, é a avenida principal... 
Ensine-me a construir minha vida, me dê conforto!
Olhou ao lado.
- Você motorista, preciso de direção! De norte, de rumo para a minha jornada.
Todos ficaram aturdidos, mas todos podiam ajuda-lo, porque havia experiências em abundância.  Lá no fundo da sala havia uma senhora de cabelos brancos e ralos, ela estava quase imóvel sentada numa cadeira de rodas.
_ Eu posso ensiná-lo a andar e sorrir. Venha e empurre minha cadeira, vamos dar uma volta nesta sala, pois vou contar a história de minha vida.
O rapaz aceitou o convite, e todos ficaram observando.
- Está vendo aquele quadro na parede?  Eu tinha 22 anos, era bailarina e aquele piano, é o mesmo que você esta vendo ali ao lado. Nesta sala, ensaiávamos nossas apresentações. Era a primeira bailarina e aquele jovem, casei-me com ele posteriormente. Vivemos de música e dança, mas o tempo é senhor do nosso destino e mais tarde ele se apaixonou por outra moça e eu dancei literalmente o tango da despedida. Mas não abandonei meu destino e me apaixonei por um fã um pouco mais jovem que eu, casei-me novamente.  Está vendo aquele homem alto e bonitão ali? Ainda estamos juntos porque transformamos nossa escola numa casa de todos os que estão aqui.
A senhora na cadeira de rodas pediu para que todos fizessem um grande Círculo da Vida e propôs ao jovem que participasse de uma dança:
_ Venha, quero apresentar a vocês, o nosso novato aprendiz da vida! Vamos mostrar a você, como devemos cantar com a nossa voz, bailar com o nosso corpo, dizer a nossa palavra.  Vamos teatralizar, de forma que você perceba que vamos representar. O teatro é uma representação da realidade, não é a realidade; em si mesma, porém, essa representação é real. Com isso você vai aprender a viver intensamente. Topa?
- Sim.
- Então, cada um de nós irá representar as nossas experiências de vida. O Paolo, meu amado irá dirigir vocês e cantar com vocês. A Ofélia cuidará dos figurinos, o Adélia cuida do cenário, juntamente com o Emanuel. Clotilde é a dona da Gafieira e as meninas são as garçonetes e o Pedro é o apresentador e vocês serão os convidados. Vamos aproveitar esse momento e colocar em cena o que nós imaginamos que acontecia nesse local, mesmo sem a nossa presença.
- Proposta: ( Pode ser um salão de dança, mas haverá diálogos de experiência de vida com os personagens e suas profissões. No palco desde recinto pode ter declamação de poesias, paródias e cotação de lendas, histórias....)
Foi o que aconteceu. Cada um dos presentes  organizaram-se conforme o combinado e transformaram aquele salão com enfeites, flores, a mesas e cadeiras e no centro o palco.
Paolo começou a tocar o piano e um dos homens mais simples pediu para contar um causo e Pedro o anunciou:
- Senhoras e senhores, este é o dia mais importante de nossas vidas!
_ Seu Fulô, suba aqui no palco,  quero que o senhor olhe para este quadro (o quadro era um espelho bonito), e diga as qualidades deste homem.
O Seu Fulô olhou bem e emocionado disse:
- Este homem  trabalhou muito nesta vida, abraçou a terra e a adotou com mãe, zelou, plantou milhares de árvores frutíferas, alimentou milhares de famílias, criou filhos, amou, chorou, sorriu, partiu, desbravou lugares e hoje está aqui para contar apenas um causo, uma ocorrência entre uma criança 10 anos mais ou menos e um senhor de idade indefinida... 80, 90, 100 anos...
Vamos lá...

O homem está sentado na cadeira de balanço (espreguiçadeira), cochilando. A criança chega e grita:
- “Ooo! Zezão,,,” –  e se prepara pra correr, pois sabe que o Zezão não tolera que interrompam sua soneca.
Zezão levanta, a principio de vagar depois inicia desabalada carreira atrás do menino; passando por uma moita pega uma varinha e dispara pelo carriadô atrás do fedelho...
O menino ria que ria, corria e corria, de vez em quando olhava pra trás para ver se o Zezão se aproximava. O Zezão corria bem mas quem disse que alcançava o garoto.
Zezão já meio cansado, com a varinha na mão, diminuía a marcha dizendo:
- aff, aff, se eu te pego...
Passaram pelo curral,  desceram pela várzea. Chegando no Corguinho o garoto foi tirando a camisa e o sapato e só de short, pulou na água. Mergulhava e emergia naquela água limpinha, ria que se ria achando que o Zezão não pularia no corgo. Não pularia, se não fosse aquela sucuri que lentamente ia descendo pela correnteza por entre as folhagens da margem do córrego. Zezão não pensou duas vezes, não tirou botina nem roupa, apenas catou o facão que sempre trazia na cintura para alguma eventualidade. O menino de costas pra serpente, não percebendo o perigo mergulhou novamente e emergiu sorrindo. Zezão, de facão em punho saltou pra dentro do riacho e antes do bote da serpente desceu o facão bem no cabeção do bicho que saiu rolando rio abaixo.
Zezão catou o menino que chorava vendo todo aquele sangue espalhado na água e vendo a cobra descendo o rio, morta. Tirou o menino da água e levou-o pra debaixo de uma árvore.
Após o susto Zezão falou:
- Vamos lá pro barraco que vou lhe contá uma história...
Chegando no barraco Zezão deu uns panos pro menino e disse:
Eu vô acendê o fugão de lenha pra aquecê nóis e aproveito pra fazê um cafezinho pra esquentá o peito...
Cafezinho pronto, do lado do fogão quentinho, os dois (Zezão e menino), como dois garotos se olharam e começaram a rir, riram tanto que a barriga até doía...
O menino disse:
- Discurpa, Zezão, te fazê corre daquele jeito...
- Qui u quê, muleque, foi bão pra mim; pra mim alembrá dos tempo que eu era boiadeiro. Sabe, cono eu era boiadeiro sarvei uma bela donzela, uma mocinha linda, que gostava de se banhar no lago da fazenda que eu trabaiava. Tudo dia di tardezinha eu ia espiá a donzela nadá no lago, eu ficava abobado caquela beleza toda; ela tinha os cabelos bem cumpridos e um rostinho de santa, ah, que sardade.
Bão, uma tarde, de trás duma arve, eu tava espiando. Na bera do lago tinha uma pedra grande, ela subiu na pedra e fez uma pose, depois pulou naquela água azulzinha como o céu. Em vorta do lago tinha um bambuzal dum lado e um calipiá do outro. Sê sabe qui qui é um calipiá não...?
- Claro Zezão é um montão de eucaliptos...
- É, é isso mesmo, calipe... Enquanto a menina nadava, eu pensava: “um dia eu peço ela em casamento, quem sabe na próxima festa de São João...
O pensamento voava e voava, e eu sonhava co nosso noivado... num repente, escuitei os gritos da minha amada (eu sabia que ela era minha amada, ela não sabia). A cobrona se aproximava, iguarzinha a que atacou ocê... A sorte que eu nunca me afastei do facão que costumo trazê na cintura. Pulei n’água de facão na mão, a sucuri já tava enrolando na moça; desci a facona nas costa da bicha que largou a moça e virou pra mim caquela bocona aberta pra mi mordê... dei tantas facãozada nela, umas trinta, até que ela parou de se mecher e ficou boiando sem rumo. Eu corri e já na margem do lago alcancei a tonha, é, o nome dela era Antônia mas era conhecida por Tonha. Ela me agradeceu muito e dali nasceu nossa amizade, que virou namoro e depois casamento...
O menino então, com os olhos brilhando disse:
Nossa, vô, então a vó Tonha conheceu você como um herói?
Craro, se ta pensando que seu vô Zezão é pouca coisa...
Os dois riram bastante com a promessa que voltariam a nadar juntos no Corguinho e depois do Corguinho o Vô Zezão deverá contar mais histórias pro menino...
Laércio Pires e
Marly Carvalho