segunda-feira, 29 de junho de 2015

Um turbilhão de ideias revolve minha mente



É em reconhecimento ao Portal Olimpíada de Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro - que registro estas letras.


Ao concluir o curso “Leitura vai, escrita vem: práticas em sala de aula” percebi o quanto eu ainda não sei (nesse momento plagio Sócrates: “tudo que sei é que nada sei”). Acreditava, eu, que era um leitor competente; após o curso uma luz veio aclarar a minha mente me mostrando que há um longo caminho a trilhar. Mais importante que o Certificado a mim entregue é o aprendizado.

 Acredito que aprendi, sim, para poder ensinar melhor, mas, o material do curso compilado e acondicionado em meus arquivos me será de grande valia para que eu possa continuar me capacitando nessa tarefa-arte que é ensinar a leitura e a escrita. Certamente continuarei voltando a esses arquivos por muito tempo, como também alçarei novos voos pela área do conhecimento sobre esse assunto tão palpitante e importante para o desenvolvimento dos nossos jovens e do nosso país.

 Não consigo, nesse momento citar o que aprendi e o que vou aplicar aos meus alunos, tal é a grandeza e diversidade dos meus aprendizados nesse curso tão completo. Tudo que eu disser sobre proficiência, avaliação, parceria, planejamento de atividades para aplicar em sala de aula, ou dinâmicas e leitura em voz alta e silenciosa soará muito pobre diante do turbilhão de ideias  que ora renovam os meus pensamentos.

                Só tenho, mesmo, que agradecer aos organizadores e docentes deste curso e dizer que voltarei a esse portal em breve para novas aquisições.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Viver é muito maneiro

A vida é mega boa, nascer e ter uma infância feliz é fundamental. Eu tive. Depois a juventude, namoros, passeios, descobertas; tudo isso foi maravilhoso. Em seguida, casamento, filhos, netos... Por um período a gente quer mudar o mundo e se embrenha por caminhos de luta e aventuras sem saber aonde vai dar; por muitas vezes até arriscando o nosso bem maior, a vida. Mas, disse o Cristo em uma de suas parábolas: “para ganhar o ‘reino dos céus’ tem de nascer de novo”. Pois é depois de tudo, aos 67 anos, estou renascendo.

Estar vivo nesta idade e vivenciar a experiência de ser professor é uma coisa inexplicável. Somente quem passa por isso consegue saber como é. Receber demonstrações de afeto como esta na minha idade é uma verdadeira revolução em nosso ser, uma reciclagem completa de tudo que aprendemos com os materialistas dialéticos. Por isso eu digo que a cada dia me surpreendo com as novas gerações. Por isso que, como o mestre Paulo Freire, eu deixo de ser apenas um marxista para ser de fato um humanista.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

FÉ NA JUVENTUDE

LAÉRCIO disse em 07/05/2015 22h35
Sou professor há 1 ano. Percebo que em toda profissão, sem exceção, há um exaustivo treinamento antes de que se inicie efetivamente a exercê-la. Isso não acontece na profissão de professor. É um grande erro. O médico, o advogado, o engenheiro, e todos outros profissionais trabalham como auxiliares por anos a fio até que por fim, já prontos, iniciam aos poucos, por conta própria a sua jornada laboral e continuam a sua formação permanente. Isso não ocorre em nossa profissão; após a graduação somos jogados em uma sala de aula, sem o mínimo de preparo prático, apenas dotados de um cabedal teórico muito superficial e pífio. Somando-se a essa realidade a superlotação de alunos em classe temos uma "batata muito quente" em nossas mãos. Nossa geração já se mostrou incompetente para solucionar estas e outras questões. Mas tenho fé que esses jovens que muitos professores rotulam de indisciplinados farão as mudanças necessárias, pois essa indisciplina nada mais é do que a insatisfação latente que têm dentro deles, mas que logo, logo começará a desabrochar e se transformar em uma verdadeira revolução que irá transformar tudo isso que conhecemos como Escola ou Educação. Desculpem o desabafo.

quarta-feira, 4 de março de 2015

FUNCIONÁRIO PROBLEMA OU CHEFE PROBLEMA?

MAIS ATUAL DO QUE NUNCA
Esse artigo foi escrito em abril de 2005, quando trabalhávamos na Divisão de Controle de Vetores, sendo publicado na íntegra no nosso jornalzinho “O Dengoso” que circulou de 2003 até 2010.


FUNCIONÁRIO PROBLEMA OU CHEFE PROBLEMA?
           O argumento "funcionário problema" é próprio de mente primitiva ou de chefe retrógrado. Porque nas empresas modernas, a nova gestão empresarial não utiliza mais esse jargão ultrapassado. Atualmente no mundo do trabalho, usa-se mais a psicologia do incentivo, da motivação, da cooperação. Já faz bem uns vinte anos que a prática de ameaças e perseguições deixou de fazer parte do arsenal usado pelos dirigentes de empresas. Porque não dá mais certo. Afinal o mundo mudou. Essa prática já mostrou ser contraproducente, porque os funcionários que se sentem ameaçados e perseguidos começam a sofrer problemas psicológicos que se traduzem em problemas físicos como: cansaço excessivo, dores de cabeça, problemas digestivos, palpitações; quando mulher, além dos problemas já citados, aparecem as disfunções ginecológicas como: regras excessivas ou minguadas, ou, nódulos nos seios e, até casos de câncer. Os chefes que administram à moda antiga dão prejuízo para a empresa, para os funcionários e para a sociedade. Pois quando uma empresa está mal administrada o ônus acaba recaindo no conjunto da sociedade, elo final, razão da existência de toda e qualquer empresa, seja pública ou privada.
             A empresa administrada por um chefe desses tende à falência. Se for empresa privada irá se tornar improdutiva e inviável diante da concorrência que se fez moderna. Se empresa pública se tornará tristemente famosa frente a outros setores da administração, como um local onde ninguém deseja trabalhar e, quem está nesse local deseja ser transferido para outros setores ou se exonerar, por não aguentar aquele ambiente "pesado".
Por isso, ao chefe não basta competência técnica, conhecimentos específicos, etc. Para ser chefe hoje em dia, é necessário conhecer o ser humano, amar o ser humano, ter empatia e simpatia. É absolutamente necessário o desprendimento de si próprio, abrir mão do egocentrismo em prol do bem comum. O verdadeiro líder não quer ser bajulado pelos seus liderados, ao contrário, ele deseja ser um colaborador, e sabe que só assim conseguirá levar a cabo a sua missão: manter o equilíbrio emocional de seus seguidores, mantendo assim a produtividade necessária ao bom andamento de toda e qualquer empresa.

            Quem não compreende isso pode se aposentar que não fará nenhuma falta.
laercioppires@hotmail.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

EDUCAÇÃO, CARRO DESGOVERNADO LADEIRA ABAIXO, SEM FREIOS

SALAS SUPERLOTADAS, DESVALORIZAÇÃO DO PROFESSOR, INSEGURANÇA E VIOLÊNCIA, INDISCIPLINA, ...
Vejam só, uma angústia perpassa o nosso peito, cotidianamente. Não há um  
dia sem esse sentimento de impotência diante do "carro desgovernado,  
ladeira abaixo", que se tornou a Educação no Brasil. É absolutamente necessário e  
urgente que nós professores demos as mãos e nos debrucemos com todas as  
nossas energias sobre esse problema crucial. Todos os professores, sem  
exceção, estamos muito preocupados, sem saber por onde começar. No entanto,  
o desespero não ajuda em nada; vamos pensar, fazer a práxis, como diria  
Paulo Freire: "Portanto, o diálogo faria o homem se comunicar com a  
realidade e a desenvolver a sua consciência crítica sobre essa realidade,  
para então perceber qual será sua práxis na realidade que o oprime para  
despi-la e transformá-la".

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Terra do Benvirá

Maravilha, parece que este post foi escrito para mim. É tudo o que eu penso, mas colocado
 com muito mais propriedade do que conseguiria, se fosse eu a escrever.
Ver o original em:
https://livrepensar.wordpress.com/terra-do-nunca-ou-do-benvira/#comment-16196

Terra-do-Nunca ou do Benvirá?

O sonho começa a tomar forma. As fruteiras plantadas em sistemas agroflorestais completaram o primeiro ano e prometem fartura para breve. As pimenteiras-do-reino trepam vigorosamente nos troncos dos bacurizeiros nativos, como as plantas ancestrais faziam na Índia da época das grandes navegações. As águas parcialmente represadas da nascente, estão cheias de peixinhos a dançar em suas águas claras, águas cortadas diariamente pelos patos e pelos banhos expontâneos da Preta e do Num É. As andirobeiras, copaibeiras, ipês e castanheiras ensaiam os primeiros galhos das copas do futuro. E eu, cada vez mais em paz e deslumbrado, mergulhado quase sempre nas águas até ao pescoço, bebericando pinga e roendo taperebás (já tive três ameaças de pneumonia).
Agora de manhã, mais uma vez, dei comida para os peixes, sentei no toco e fiquei a apreciar seus pulos e o banho dos patos, mais abaixo. E, como nunca, a perspectiva concreta do sonho original se fez presente em mim. E por assim ser, relembrei o projeto da placa que pregarei um dia na entrada do sítio: Sítio Natureza, … As reticências a serem preenchidas pelo subtítulo, que deverá expressar a essência do meu espírito em resiliência: a Terra do Nunca? Ou a Terra do Benvirá? Neste dilema, perdi a noção do tempo a matutar a escolha, sentado no tronco a beira do lago. Qual dos dois?
O primeiro subtítulo pensado, há tempos atrás, foi a Terra do Nunca. Na ficção de J. M. Barrie, esta terra era a morada dos meninos perdidos, da imortalidade e da infância perene. E eu, um menino perdido por tantos anos obrigado à luta para provar que a rebeldia valia alguma coisa, apesar de ter conseguido provar o que queria, redespertei em mim o sonho de uma segunda infância, da qual nunca mais queria sair (efeitos da velhice?). Livre. Dono da minha rebeldia. Dono da minha cabeça e do meu corpo. Imortal. Feliz como um bicho-do-mato sem predadores por perto.
Mas a minha mente em resgate é um turbilhão, que não se contenta em apenas ser criança parada no tempo, por mais feliz que ele seja. E aí me veio à cabeça a música do Vandré (Terras do Benvirá), um poeta louco, rebelde e visionário que, antes de ser morto em vida, refletiu sobre os sonhos originais, o amor de sempre, o céu que nos cobre, as coisas passada que retornam para dar força e o presente que não esquece as raízes.
Pensei muito. Tenho pensado muito nestes dois subtítulos. Cheguei até a pensar em uma enquete para que vocês pudessem me ajudar a escolher. Mas me decidi hoje, ali na beira do lago, por Terra do Benvirá. O eterno vir-a-ser. A desconstrução criativa, onde o que é bom pode ser transformado no melhor. Já fui criança um dia. Criança rebelde, sonhadora, triste e teimosa. Hoje, para minha sorte, mantenho em mim o espírito da criança que fui, mas sou um adulto. Soy um viejo (como sempre digo, um quixote incorrigível). Ou como sempre disse também, um camponês metido à besta que finalmente largou as pretensões intelectuais acadêmicas e retornou à intelectualidade da vida natural. Não me arrependo das pretensões pois fui obrigado à buscá-las e também porque, se não o tivesse feito, morreria na dúvida pelo caminho não trilhado.
E agora, ainda com o coração ligado lá no lago, comunico a vocês, meus amigos: hoje surgiu, formalmente, o Sítio Natureza – A Terra do Benvirá. Ainda embrionário, mas com coisas próprias do sonho que estou perseguindo. E lembrem-se, no caso de eu partir para o outro lado do caminho antes do combinado: aqui eu encontrei paz; aqui eu me resgatei enquanto ser humano válido; aqui reconstruí meu corpo, minha alma e meu espírito. E por tudo isso, quero que, quando partir, meu espírito aqui descanse para sempre, contemplando este pequeno mundo que me faz tão feliz.
Um bom domingo a todos. E para o dia continuar encantado, mando o link para vocês curtirem o Vandré, em Das terras do Benvirá.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Eu e o Malhado em Busca do País Ideal



Ele era marrom, com lindas manchas brancas. Logo que o vi gostei dele e ele de mim. Chamei-o de Malhado, ele atendeu prontamente, se aproximou de mim. Parecia que a gente se conhecia há muito tempo, éramos velhos amigos. Malhado era muito mais do que um bom cavalo, era um ótimo companheiro. Quando saíamos juntos a passear, tudo ficava mais bonito. A vida parecia encantada, o mundo se aproximava do ideal.

Em uma de nossas aventuras conhecemos o país ideal. Foi assim que tudo começou:

Malhado e eu estávamos a galopar por uma planície, sentíamos a brisa fresca a nos acariciar a pele. Neste galope passávamos por canteiros de flores do campo, de todos os tipos e cores: Margaridas, magnólias , rosas... O perfume delas nos deixava inebriados. De repente fomos nos aproximando de uma névoa, uma nuvem que nos envolveu completamente. Malhado, cautelosamente foi diminuindo a velocidade, de galope passou a trotar, depois caminhar, até que a névoa desapareceu e chegamos a um lugar diferente. Era uma cidade muito bonita, toda colorida. As ruas eram ladeadas por arvores frutíferas e flores. As edificações eram coloridas com cores suaves: azul-claro, rosa-claro, verde-claro, amarelo-claro, alaranjado, etc. Uma melodia deliciosa e um perfume suave, quase imperceptível enchiam o ar. No rosto das pessoas percebia-se uma expressão de contentamento, alegria. O curioso é que não  víamos automóveis ou motocicletas neste lugar. Os únicos veículos que passavam lentamente a intervalos regulares eram uma espécie de ônibus que não produzia ruído nem fumaça. Ele dava-nos a impressão de estar deslizando num colchão de ar, agradavelmente, sem pressa.

Chegamos a uma praça que tinha um quiosque de informações, paramos para inquirir. Malhado se dirigiu para um regato de águas límpidas situado bem no centro da praça. Enquanto bebia água e depois degustava a grama verdinha, apetitosa, Malhado aproveitava para apreciar as crianças que brincavam no parquinho (playground) existente no local.

 – Sejam bem vindos – disse a linda moça negra, com voz melodiosa. Ela transmitia serenidade, seus olhos e sua boca sorriam enquanto falava. – posso ser útil, precisam de alguma informação?

 – Sim, chegamos aqui, eu e o Malhado, por acaso. Gostaríamos de saber que lugar é esse.

 – Na verdade – ela disse – vocês não vieram para cá por acaso. Tudo tem um propósito. Este lugar, como vocês estão vendo é muito tranquilo, mas não foi sempre assim. Aqui tinha violência, corrupção, roubos, injustiça social, desemprego, pobreza, poluição, doenças, preconceitos. Enfim, faltava respeito ao ser humano e à Natureza. Até que um dia chegou um grupo de saltimbancos. Aqueles malabaristas foram conquistando aos poucos pequenas porções da população, depois a maioria da população. Aquelas pessoas que antes só viam televisão, agora começavam sair para as ruas para ver as acrobacias dos saltimbancos. Depois de certo tempo, eles começaram a mostrar espetáculos teatrais. Isso tudo foi despertando o cérebro adormecido do povo para as coisas da realidade. Após o teatro, eles começaram a trazer livros e assim nossa população foi evoluindo e tomando consciência de que as coisas poderiam ser diferentes. Que dependia de nós continuar naquela tristeza, convivendo com a violência, corrupção,... Ou dar um salto de qualidade transformando o país em um lugar melhor para se viver.

As pessoas começaram a conversar mais, ter uma convivência em comunidade. Vizinhos que mal se viam de vez em quando, agora passavam horas trocando experiências enriquecedoras. O crescimento intelectual das pessoas foi tanto que o país começou a se transformar. A primeira medida tomada foi uma lei de iniciativa popular que rezava o seguinte:

Parágrafo 1: Todas as ruas e praças deste país deverão ser arborizadas com árvores frutíferas em toda sua extensão, para que não faltem frutas na alimentação do nosso povo, melhorando assim a saúde da população. E assim, a população foi criando leis como: garantia de emprego para todas as pessoas, direito à moradia digna para todos, direito à saúde de boa qualidade. Direito ao ensino gratuito da pré-escola até a faculdade, para todos, independente de classe social. E outras.

Aliás, esse negócio de classe social, aqui já não existe mais, nós abolimos todas as diferenças.

Nesse momento eu interrompi a moça e perguntei:

 – Mas como é isso? Eu acho legal diminuir as diferenças, mas não consigo entender por exemplo um lixeiro ganhando o mesmo salário de um médico.

Ela explicou:

 – Aí é que está, em nosso sistema todas as pessoas têm o mesmo nível intelectual, tanto o médico como o gari, como o servente, ou qualquer outro profissional. Aliás, o gari que recolhe o lixo da minha rua é formado em Filosofia e Sociologia, o servente do prédio onde moro é formado em Astronomia e está sendo cotado para ser um dos tripulantes da próxima viagem interplanetária com destino à Saturno, o ascensorista já escreveu  vários livros de fama internacional.

Nesse momento eu a interrompi novamente:

 – Puxa vida, minha cabeça está girando, estou tonto com tudo isso que você está me contando.  E você, o que faz além de atender o público neste quiosque de informações?

 – Eu, bom, este ano estou como Presidente da República e dou plantão neste quiosque uma vez por semana.

Nisso, o Malhado se aproximou e parou perto de nós. A presidenta fez um carinho no Malhado e se despediu de nós dizendo:

 – Tudo que existe está relacionado. O bem individual é impossível sem o bem coletivo. Só depois que entendemos isso é que conseguimos acabar com a violência e com todos os outros males que afligem o Mundo.

Montei o Malhado e fomos andando e andando. Atravessamos o país de ponta a ponta, comprovando tudo o que ela dissera. Tudo que vimos naquele país, além de nos encher de entusiasmo e esperança, aumentou muito a nossa vontade de lutar por um Mundo melhor.

Novamente aquela névoa nos envolveu... Quando saímos dela não havia nada além da planície. Galopamos um pouco. Aliás, ainda estamos galopando a procura daquele lugar maravilhoso. O país ideal.

Continuaremos, eu e o Malhado, nessa busca do país ideal enquanto a gente viver. 23.51h